domingo, 30 de novembro de 2008

A poesia é necessária!

(foto: Antonia Fernandes)

Rua de Camilos

Uma rua e suas histórias
O sobe-e-desce
De encontros
Desencontros
Desenganos
Pedras e preces
A caminho
Da luz
Sol ou lua
Dois amores
Centro ou cruz
Um beijo
Na esquina do passado

Uma rua e seus pensamentos
De eternas presenças
De nuvens e chuvas
Travessas e pontes
De cacos de vidro
Desequilíbrio de copos
Cortes sangrentos
Na memória
Cicatrizes, rascunhos
Na história.

F Wilson

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Poesia de todo dia

(foto sem crédito)

Amad(a)ora

Como é doce a palavra
Nos teus lábios de açucena
Pele macia na minha alma
Olhar de esperança acena

Teu sorriso de criança salta
Do rosto feito gente inocente
Que pisa no coração dos conflitos
E voa na contramão do infinito

Como a lua de todo dia
Teu rosto é a mesma poesia
Como a lua em toda fase
Teu rosto em sedução disfarça

Amanda nua pela casa
Faz poesia torta embriagada
Vinho sangrando n'alma
Língua tinta nos lábios rasgados

F Wilson

Mais Bossa Nova instrumental: Tom Jobim


Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (January 25, 1927 in Rio de Janeiro, December 8, 1994 in New York City), also known as Tom Jobim, was a Grammy Award-winning Brazilian songwriter, composer, arranger, singer, and pianist/guitarist. A primary force behind the creation of the bossa nova style, Jobim is acknowledged as one of the most influential popular composers of the 20th century. His songs have been performed by many singers and instrumentalists within Brazil and internationally.
1. The Girl from Ipanema
2. Look to the Sky
3. Antigua
4. Tema Jazz
5. Caribe
6. The Red Blouse
7. Lamento
8. Carinhoso
9. Takatanga
10. Batidinha
11. Tide
12. Rogkanalia
13. Mojave
14. Triste
15. Sue Ann
16. Captain Bagardi
17. Dialogo
18. Wave
19. Remember
Baixar pelo link:
Fonte: Música do Bem

Calcinha

(foto sem crédito)

Encolher é evoluir
Esconder é fundamental
Cobrir só o essencial
(se der)

Trio parada dura

(foto: Zaira Fernandes Nascimento)

Domingo passado, 23/11: amigos, cerveja e poesia na casa do Joaozão (que não está na foto). Duarte, J L Rocha Nascimento e este blogueiro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Concretismo

(Av. Miguel Rosa)

SINA

V
V A
V A I
V A
V
V O
V O L
V O L T
V O L T A
V O L T
V O L
V O
V
V A
V A I
V A I N
V A I N Ã
V A I N Ã O
V O L T A
V O L T
V O L
V O
V

F Wilson

Instrumental Bossa Nova Vol. 3 (2008)

01. Antonio Carlos Jobim - Só Danço Samba 02:22.
02. Tamba 4 - Chant of Ossanha (Canto de Ossanha) 05:01.
03. Sérgio Mendes e Bossa Rio - Ela é Carioca 02:23.
04. Zimbo Trio - Que Maravilha / Chove Chuva 03:15.
05. Luiz Eзa - Tristeza De Nуs Dois 03:0806.
06. Os Gatos - Água De Beber 03:34.
07. Antonio Carlos Jobim - Wave 02:52.
08. Walter Wanderley - O Barquinho 03:01.
09. Oscar Castro Neves - Chora Tua Tristeza 01:36
10. J.T Meilrelles - Samba De Verão 01:58
11. Tamba Trio - Nuvens 02:4212.
12. Sergio Mendes - Oba-Lá-Lá 02:2913.
13. Baden Powell - Improviso Em Bossa Nova 02:07
14. Antonio Carlos Jobim - Garota De Ipanema 02:40

Baixar pelo link:
http://rapidshare.com/files/166907669/Instrumental_Bossa.rar

Fonte: Música do Bem

domingo, 23 de novembro de 2008

Wishbone Ash

(1970)
(2008)

It’s a milestone year for Wishbone Ash as they tear up the highway and cut loose in the studio. In 2008, British twin-lead guitar band Wishbone Ash® celebrates 39 years of rock ’n’ roll in true Ash fashion: touring, touring and more touring – in Turkey, Germany, Holland the United States, the United Kingdom and France. Plans are also under way to record a new studio album and to release a live CD.Wishbone Ash can trace its origins back to Torquay, Devon, England, a seaside resort in the southwest of the country. It was here that Martin Turner and Steve Upton first performed together; Turner on bass, Upton on drums, before moving to London in 1969 to seek fame and fortune. It was in the capital that the decision was made to place an advert for a keyboard player and a lead guitarist. The resulting audition threw up 2 guitar leads but nobody could decide who to choose and the trademark twin lead sound of Wishbone Ash was born. Ted (David) Turner and Andy Powell soon went through the poverty and growing pains of a new band but were fortunate that Miles Copeland was championing their cause and a fairly rapid progression was achieved. The first Album - Wishbone Ash was released in Dec 1970 and their second - Pilgrimage surfaced just 6 months later to reach no 6 in the NME charts. Great things were just 11 months away with the release of Argus - possibly the band’s best album - certainly their most commercially successful - reached number 2 in the UK charts and went gold. The next album Wishbone 4, again only 12 months on, went silver.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ELAS

eu te contemplo [há tempos]

quando te penso
agradeço que
não passa disso

pensar
é o máximo
que posso

imaginar
é o parco verbo
que possuo

quando muito
fantasio que

[ah, se por acaso
tua boca
se por descaso
teu murmúrio
(em ondasse por orgasmo]

mas logo apago
a idéia de

[ah, se por ocaso
tua lábia úmida
na seca
de meus lábios
se por relaxo
se por capricho
amor ou sexo]

num átimo
deleto
o que - em tese -
seria ótimo

sem o ato
evito
passo
em falso

veja baby
o ladoprático
:
você nunca
será passado

[mas ah
se por um lapso
uau
se por um ímpeto]

valéria tarelho
www.valeriatarelho.blogspot.com



Desejos...

Sentada neste computador...
Algo erótico me remete
ao sublime ato de amor
Um súbito tesão me acomete
causando-me um louco furor.

Sinto vontade de me amar
De alisar os meus seios
De eriçar os mamilos
Fazendo com gelo, rodeios
Deixando-os altivos.

Sinto vontade de continuar
De não parar neste instante
De fazer mais e mais,de ir adiante.
Sinto vontade de me provocar
De afastar minha calcinha
De tocar meu sexo suavemente
Tateando a portinha.

Acomodo-me na cadeira
Abro as pernas lentamente
Continuo a brincadeira
Alisando-me gostosamente

Continuo a me bolinar
Num ritmo crescente
Vou mexendo sem parar
Aumentando rapidamente
Quero meu dedo depravado
Disposto a me servir
Como num passo ensaiado
Doido pra me fazer rir

O dedo bem molhado
Que não sabe ficar parado
No seu ritmo cadenciado
Penetrando-me gostoso
Brincando de entrar e sair
Cada vez mais poderoso

Agora, já ficando encharcado
Num ritmo mais vigoroso
De um jeito bem prazeroso
Não parando de ir e vir
De modo viril e furioso
Movimentando-se garboso
Sabendo que vou explodir
Num grito estrondoso
Do tesão a me invadir

Aiii...

Chegou a hora do gozo
Satisfeita, me ponho a sorrir!

Andrea Lúcia (Orkut - Comunidade "Sexo na Ponta da Língua!")


No mar...

De quatro eu espero
Recolha as amarras
Levante seu mastro
E navegue em mim!
Meu mar é profundo
Estreito e fecundo
Para seu barco abrigar
Solte as velas
Deixe o barco derivar
Vem marinheiro!
Estou de quatro a lhe esperar!
Enfie com força tua lança
E acompanhe essa dança
Do peixe no mar!

Marlene C.N. (Orkut - Comunidade "Encontros de Poesias!")


MEU REGO

Meu rego é o vale onde vens repousar
Teus ímpetos e ânsias, teu tesão
Doce remanso, a te deleitar,
E tens meu cu à tua disposição.

Meu rego é vale entre dois grandes montes
Duas montanhas para o teu lazer
Nelas enxergas lindos horizontes
Nelas entornas todo o teu prazer

Meu rego é vale lânguido e profundo
Onde me lambes com total apego
Onde teu pau me invade bem no fundo

Pois este é o vale para o teu sossego
Um lugar único, em todo este mundo:
É minha bunda, é meu cu, meu rego.

Deamaris Regina D’Ambrosia
www.deamaris.blogspot.com


sábado, 15 de novembro de 2008

Confidências de Amandra - 2

(foto:Iga - Gallerygalore.net)

A piada falava de gente magra e sexo. Esqueci, podia também ter esquecido do professor, mas ele depois me pediu desculpas. Desculpei a piada, não o professor. Também não queria vingança, pelo menos não era esse o meu sentimento naquele momento. Sentia mesmo era enraizar uma obsessão: tinha de conquistar sua atenção para comigo. Não é comum, certo, uma menina de treze anos articular estratégias tão perfeitas para conseguir o que quer. Mas, primeiro eu não era uma menina comum; depois, os planos, apesar de bem pensados, encontravam resistência na ética profissional do professor, na possível ressaca de uma aventura indecorosa, o que mancharia para sempre seu currículo de jovem intelectual dotado. Devo dizer que ele era bem querido pela administração da escola, seu futuro ali era de um bom investidor.
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Mas o possível é uma brecha, mesmo apertada, no destino. É preciso saber entrar, forçar prazerosamente, como se come cuidadosamente uma virgem. Evitar o caminho de cascalhos à beira de um abismo. Se não der certo, parte para o plano b, plano c, d,... Aí, depende do tamanho do tempo, da disposição ou da loucura da pessoa. Louca eu nunca fui e tempo... bem, o tempo, eu hoje já sou adulta. Eu tinha um álibi natural e coercitivo: o corpo. Enquanto a mente mapeava os caminhos geométricos da disciplina, meu corpo exercia a função estética da indisciplina. A mulher sabe usar o corpo para chegar a um determinado fim. Adolescente, jovem ou adulta. Você deve estar perguntando: mas um corpo magricela e adolescente... Sim, eu sabia que tava na hora de mudar meu corpo, inflar nas curvas, encher os seios, turbinar as nádegas. Como fiz? Aos quatorze anos uma adolescente magra, se quiser, fica gorda, e uma gorda pode ficar magra. Ou ainda podem ficar na perfeição física. Se estudei medicina? Depois eu falo o que estudei e o que sou hoje. Mas lhe digo por que esse fenômeno acontece com as adolescentes: os hormônios, a menstruação, os pêlos, o desejo sexual, a curiosidade pelas artes, a repugnância por determinadas comidas.
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Esperei os quatorze anos chegarem, já estudava a oitava série, quando as meninas adoram mostrar o rabo, as que têm, claro. As alunas nessa série preferem professoras a professores, elas bonitas. Professora de escola sempre foi modelo de mistificação, e entre as meninas era motivo de imitação. Entre os meninos a professora era a modelo preferida no banheiro – a idade dos otários. A professora Romana era uma poesia disciplinada, mas uma moral tradicional que não rejeitava a modernidade. Olha, essa certeza de dizer que adolescente da oitava série preferir professora é observação minha, você já leu meu livro Alunos e Alunas Modernos? Não, né! Nesse livro eu abordo essa questão da preferência do alunado pelo profissional do sexo feminino em sala de aula. Mas isso é outra coisa.
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Como eu falava, a professora Romana lecionava português, adorava poesia clássica, e reconstruía seu mundo barroco com os tijolos dos escombros das vanguardas. Como? Olha, o senhor pode tolerar algumas sílabas do meu vocabulário poético? Ah, o espaço para a diagramação do seu jornal, entendo...

O Acidente

(foto: sampafotos.blogspot.com)
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J. L. Rocha do Nascimento
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No velho três em um, Jean-Luc-Ponty e seus acordes alucinantes. A música o conduzia para bem longe. Sobre a mesa de centro, a taça com o cabernet sauvignon, de que ela não gostara porque o achou muito encorpado. Preferia ser irrigada com um Porto, costumava dizer. Lembrou de como ela, entre um gole e outro, distraída, brincava com o rubro brilhante a bailar dentro da taça, as bolhas, uma a uma, pipocando silenciosamente. O jogo era não deixar desbordar, no máximo permitir que a onda subisse até a borda, caminho de volta em seguida. Com os olhos, ele acompanhava aqueles movimentos, como se deslizasse de um lado a outro, sobre uma pista de skate.
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Ponty e seu violino continuavam com a mesma sonoridade, agora na quarta faixa do lado a do vinil.
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Estendida sobre a cama, não tinha mais pulsação. Foi até ao laptop, o vinho junto, e começou a dedilhar alguma coisa. O teclado lhe pareceu vazio. Olhou para a taça, o vinho imóvel no fundo, tinha dificuldade de respirar, um pântano de águas turvas. Ainda assim, tomou um gole, o palato reagiu, como se tivesse sido submetido a constantes oscilações de temperatura. Uma gota resvalou para o lado externo da taça, escorregou lentamente, como uma lágrima, por entre os dedos trêmulos.
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Ele bem que a avisara, era perigoso, não ia acabar bem. Estavam passando dos limites da razoabilidade. Aquelas experiências bizarras não eram mais simples fantasias. Ela insistiu, não se preocupasse, assumiria o controle, definiria o momento certo de interromper. A gravata era de seda italiana, de fios trançados, adquirida no Freeshop, juntamente com um Jack Daniel. Já a tinha usado para vendá-la, atá-la, chicoteá-la, puxá-la pelo pescoço em sua direção, prendê-la nas grades da cabeceira cama, até aí tudo bem. Quando vendada era divertido (e excitante) estimular sua imaginação. Nem sempre ela acertava com o que, como e onde se daria o desembarque, a invasão, sobretudo quando era conjugada e pela retaguarda. O importante é que eu estou gostando, dizia ela. Além disso, sempre gostei de uma dose dupla, qualquer dia eu quero tripla, pode fazer? Mas dessa vez foi pura loucura. Aperta mais e penetra, tudo ao mesmo tempo, bem fundo, lá na alma. Pareceu-lhe que quanto mais apertava, mais ela sentia prazer e isso também o excitava. Vou parar! Não! A jugular, vai estourar, isso é loucura. É não! Continua, uma delícia, leu pelos movimentos dos lábios, o som já era ininteligível; dentro dos olhos, constelações. Os reflexos comprometidos, afinal foram três garrafas. Tudo muito rápido. Somente parou quando ouviu o grito surdo e curto, seguido de um leve sopro que balançou os pelos do nariz, os olhos calcificados, a língua presa entre os dentes. Que merda, falou para si mesmo.
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Ninguém acreditaria na minha versão.
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Extraído do blog Confraria Tarântula

sábado, 8 de novembro de 2008

Greg Lake - From the Beggining


Entre 1970 e 1975 o ELP lançou vários discos, fez dezenas de excursões, vendeu milhões de cópias no mundo todo, e influenciou toda uma geração de músicos de rock progressivo.Após meados dos anos 70, a banda precisou de um descanso, e nesta época Greg Lake gravou um single natalino que fez muito sucesso e até hoje lhe garante polpudos cheques ao fim de todos os anos: “I Believe In Father Christmas”. Aqui está incluída a versão original do single, com a orquestra (e não a versão do ELP, gravada posteriormente).O ELP então retornou às atividades em 1977, quando foram lançados os discos “Works Volume 1” e “Works Volume 2”. O Volume 1 era um LP duplo de estúdio que continha um lado dedicado a cada integrante, sendo o último lado dedicado a duas longas composições da banda. No lado dedicado a Lake, o segundo, estava uma série de composições suas que fizeram bastante sucesso nas rádios, como “C’est La Vie” (que foi até tema de novela aqui no Brasil!) e a tocante “Closer To Believing”. Do Volume 2 está presente a bela “Watching Over You”.Após o lançamento do disco “Love Beach” em 1978, a banda deu uma parada e Lake resolveu investir em sua carreira solo. Trocando o baixo pela guitarra, chamou músicos como Gary Moore (guitarra) e Tommy Eyre (teclados) para se juntar a ele e gravou dois discos: “Greg Lake” (1981) e “Manoeuvres” (1983).Em 1986, Lake voltou a se juntar com Emerson no projeto Emerson, Lake & Powell, que incluía o baterista Cozy Powell (ex-Jeff Beck Group, Rainbow e Whitesnake), pois Carl Palmer estava ocupado com sua banda Asia.Após uma breve participação sua no Asia, substituindo temporariamente John Wetton, Lake gravou algumas músicas com o tecladista (do Asia, e ex-Yes) Geoff Downes.Depois disso, Greg Lake diminuiu o ritmo por um bom tempo, preferindo curtir a vida com a família, sem mais a necessidade de lutar para ganhar a vida. Após os mencionados eventuais projetos com a All Starrs Band de Ringo Starr e com o The Who (com quem chegou a gravar a música “Real Good Lookin’ Boy”, a ser incluída no próximo registro de estúdio da banda), Lake afinal retornou recentemente à sua atividade solo, e tem feito shows na Europa com uma competente banda, já tendo lançado alguns DVDs e tendo em seus planos mais um disco de estúdio para um futuro breve.

Fonte: www.lagrimapsicodelica.blogspot.com
Part 1
1. The Court Of The Crimson King - King Crimson
2. Cat Food - King Crimson
3. Knife Edge - Emerson, Lake & Palmer
4. Lucky Man - Emerson, Lake & Palmer
5. From the Beginning - Emerson, Lake & Palmer
6. Take a Pebble (live) - Emerson, Lake & Palmer
7. Still - Peter Sinfield
8. Still...You Turn Me On - Emerson, Lake & Palmer
9. Jerusalem - Emerson, Lake & Palmer
10. Karn Evil9: 1st Impression, Pt. 2 - Emerson, Lake & Palmer
11. I Believe in Father Christmas (original single version) - Greg Lake
12. C'est La Vie - Greg Lake
13. Closer To Believing - Greg Lake
14. Watching over You - Greg Lake
15. 21st Century Schizoid Man (live) - Greg Lake
Part 2
1. Nuclear Attack - Greg Lake
2. Love You Too Much - Greg Lake
3. It Hurts - Greg Lake
4. Retribution Drive - Greg Lake
5. Lie - Greg Lake
6. Let Me Love You Once - Greg Lake
7. Manoeuvres - Greg Lake
8. I Don't Know Why I Still Love You - Greg Lake
9. Touch And Go - Emerson, Lake & Powell
10. Law Down Your Guns - Emerson, Lake & Powell
11. Love Under Fire - Greg Lake
12. Money Talks - Greg Lake
13. Black Moon - Emerson, Lake & Palmer
14. Paper Blood - Emerson, Lake & Palmer
15. Affairs Of The Heart - Emerson, Lake & Palmer
16. Daddy - Emerson, Lake & Palmer
17. Heart On Ice - Emerson, Lake & Palmer

Confidências de Amandra - I

.(foto "solta" na internet, sem crédito).

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Quando eu tinha doze anos era uma menina magra. Na escola meninos chatos viviam me irritando, me chamavam de magricela, no que eu partia para o ataque (tinha ossos de ferro) e abatia-os com vigorosos socos. Eram constantes minhas idas à diretoria por causa da minha conduta violenta. Os professores toleravam minha atitude - minhas notas compensavam o desajuste agressivo, pois eu gostava muito de estudar. Eu me identificava mais com as matérias de português e de história. Em casa, deitava-me de bruços na cama na companhia de deliciosos sacos de balas, caixinhas de nescau líquido, sorvetes e livros, muitos livros. Lia poesias, romances, biografias, a história da Grécia e Roma antigas, Hitler e a Segunda Guerra Mundial. Era apaixonada por essas leituras.
Balas? Nescau? Sim! Apesar do corpo magro eu comia bastante. Minha mãe, nas refeições, caprichava o meu prato. Eu adorava panelada, rabada, lingüiça, costela assada. Nas manhãs preparava todos os dias a mochila para minha estadia na escola. O caderno, livros didáticos e comida: doces, bolachas, chocolates que eu comia durante as aula, quando o professor se virava para copiar no quadro – nesses momentos se algum colega me delatasse sabia que ia passar por maus momentos no intervalo. Durante o recreio eu torrava os reais que minha mãe, preocupada com minha magreza, me dava. Devorava os salgadinho mais gordurosos: bomba, coxinha, espáduas... massa mesmo eram os pastéis de carne, até hoje sinto saudades daqueles pasteizinhos da cantina da Paixão, que delícia.
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Um dia, em sala de aula, um professor contou uma piada. Era o professor que eu mais gostava, eu guardava uma paixão secreta por ele. Até hoje eu me pergunto por que ele me desapontou daquele jeito. Tá certo que sempre fui tímida, nunca externei qualquer gesto que fragilizasse a muralha do meu ser adolescente, sempre media a cor do meu olhar com ele. Você deve estar perguntando o quê é isso. É o brilho dos olhos que denuncia a cor de uma paixão, as pessoas puramente apaixonadas revelam isso, principalmente às mulheres, notadamente as adolescentes que não sabem o que fazer com o amor que sentem, pior ainda com a paixão as corrói.
Mas estou me distanciando do assunto. Mas também não estou com pressa, o senhor está? Certo, o leitor, ou o cliente, sempre tem razão. Pois bem, piada, ao contrário do que pensa a maioria, “riso da alegria”, não é nada disso. É o riso da dor meu caro, a cartase do Aristóteles que se manifesta em gargalhadas. As pessoas em meio de uma multidão de idiotas sorridentes não estranham ser mais um, e palmas para o comediante, o palhaço moderno.
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Quando criança eu adorava circo, os palhaços eram minhas atrações maiores. Virei adolescente e continuava a freqüentar os circos que se armavam no bairro onde eu morava. Mas alguma coisa tinha mudado. Eu perdera a inocência e os palhaços também; a televisão comprou o circo e, apesar de tentativas desesperadas da mídia capitalista, não conseguiu (e nem podia) fazer voltar à inocência de uma velha geração.
Já adolescente fui a um circo, pequeno, que se instalara no meu bairro. Sorri bastante dos palhaços, especialmente de um. Ao final do espetáculo, o palhaço que eu, e o público, simpatizara, teve direito ao cumprimento do público no final. Cortinas foram abertas e ele apareceu com sua família: uma dançarina e um garoto que era aprendiz na corda-bamba. Pelo discurso que fez me deixou desanimado da profissão de palhaço. Sim, eu, nos meus sonhos, queria a inteligência de um palhaço para fazer a humanidade sorrir. Mas ele não fez exatamente um discurso, declamou uma longa poesia, dele mesmo. Sentado no palco, microfone na mão, palavras afetivas, sílabas de vida, rimas de lágrimas. O público ficou comovido. Depois desse dia, apaguei todos os sorrisos de palhaços que eu sabia imitar. Perdi muitas amigas e amigos que só me queriam como palhaça. Foi aí onde eu percebi que piada era o riso da dor. Hoje em dia eu escuto piadas: em roda de amigos; em seminários - quando o seminarista querendo descontrair (ou enrolar) o público; na família a gozação é dobrada. Mas nunca esqueci daquele palhaço chorão, e hoje, toda piada que escuto, se existe graça, existe também lágrima no riso de quem entende a piada. Mas eu tava falando mesmo de quê? Ah, da minha pré-adolescência, como eu comia! Eh, eh...
.
(Esse folhetim continua na próxima semana)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Clarice Lispector



Não te amo mais.
Estarei mentindo se disser que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza de que
Nada foi em vão.
Sei dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer nunca que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
É tarde demais.


É tarde demais.
Sinto, mas tenho que dizer a verdade:
EU TE AMO!
E jamais usarei a frase
Já te esqueci!
Sinto cada vez mais que
Alimento um grande amor.
Não poderia dizer nunca que
Você não significa nada
Sei dentro de mim que
Nada foi em vão.
Tenho certeza de que
Ainda te quero como sempre quis.
Estarei mentindo se disser que
Não te amo mais.


(Não encontrei os autores das fotos)

sábado, 1 de novembro de 2008

Grupo Tarântula e Vencidos

Esta postagem registra Vencidos como fato, como se vê de exemplar preso à minha mão. Aí, mais uma vez, o Grupo Tarântula reunido, desta vez na APCEF. Não me lembro a autoria da foto.

Retirado do blog: Vida Noves Fora Zero

(A foto é de 1987 e foi tirada por este blogueiro que acompanhava os Tarântulas: Airton Sampaio, L. Moura Filho, J L Rocha do Nascimento e Bezerra JP)


ELAS


VALÉRIA TARELHO

romantique

“L’individu bien conforme est taillé d’un bois à la fois dur, tendre et parfumé”Nietzsche

seu cheiro
- choque -
: rasgo de ar puro
no meu sufoco viciado

seu cheiro
- chique -
: eau de homem
[poésie poison passion]
bouquet urbanono meu ranço flor do campo

seu cheiro
- xis -
: agente noir
infiltrado na curva [alva]
do meu anseio

seu cheiro
lance certeiro
: estratégia
movimento
ataque

seu cheiro
: argumento
ou fato

xeque-mate-me


CIDA PEDROSA

kelle

que seja feita
a vossa vontade
entre as pernas de kelle
e o silêncio da gruta

que venha ao nosso retiro
a cama desfeita
a diabrura dos dedos
o suor das roupas
e a boca de kelle

que nos dê hoje
o desejo e a festa
a boca e o pênis
o pão e a boceta
e a vontade de kelle

que seja feita a vontade de todos
na fogueira do corpo



prazer

o diabo faz cócegas em meus pés
enquanto abro as pernas

e deus alisa meus cabelos
enquanto grito ao teu ouvido



ADELAIDE DO JULINHO

Capitão Amadeu, boa noite.
Polícia, socorro, preciso de ajuda.
Pois não, às ordens.
Estou ouvindo gritos aqui no lote vago, atrás da minha casa.
Gritos de socorro?
Não, senhor. Parece que é transa ou estupro: a moça grita muito alto, uns ai ui ah compridos, resfolegantes...
Passe-nos o endereço, por favor.
Rua tal, número tal, bairro tal.
Estamos a caminho.
Obrigada, capitão. Pode me fazer mais um favor?
Sim?
Depois de registrar a ocorrência, se não for estupro, o senhor dá o meu endereço pro rapaz e pede a ele pra passar aqui em casa mais tarde?



Do blog: www.escritorassuicidas.com.br