sábado, 1 de maio de 2010

Na sala de aula

Gota dágua

Clara reclamava sempre do calor de Teresina. Na escola, primeiro dia de aula, no pátio da escola, era a primeira a ocupar a dianteira da fila de sua turma: os primeiros seguravam as carteira da frente, de preferência debaixo dos miseráveis ventiladores de teto.

Clara suava durante as aulas. O professor, meio às explicações, dizia que o calor era capaz de ignorar a concentração, mas todos tinham um cantil na esquina de suas mesas para molhar a guela de todas as mente ali.

O sol de setembro beijava ardentemente os cabelos longos de Clara, a caminho da escola. Ressecados, a mãe a obrigava se proteger da longa caminhada.
– Clara, o guarda-sol! A menina abria a contragosto. Quarteirão dobrado fechava o artefato. Defendia-se do sol na nanica sombra dos muros.

Na praça os operários da sombra expunham suas mercadorias. Clara deu um nó nos cabelos a altura da nuca e, adentrando a sombra de uma mangueira, sentiu os arrepios gostosos no cangote. Como era maravilhosa à sombra da vida.

A mochila abandonada na grama, Clara apoiou as costas no tronco da árvore e fechou os olhos. Nos vinte segundos de sonho não lembrou de uma gota dágua espremida no olho vivo no alto da mangueira. Uma gota que foi caindo, ganhando velocidade, aumentando de tamanho...

Fim do sonho: Plof! A gota explodiu na cabeça de Clara.

Ela nunca entendeu, depois desse dia, quando exposta ao sol forte, o cabelo ficava sempre molhadinho.


F Wilson

domingo, 25 de abril de 2010

côncavo & convexo

(ilustração retirada do blog textura)

(para Leandro)

dos encaixes
perfeitos:

você dentro

do parêntese
que abro


(do abraço

ao sexo)


valéria tarelho


(Poema retirado do blog textura da poeta Valéria Tarelho, a mais linda poeta do Brasil)

Um poema de F Moura Filho

(Morro da Providência, Rio de Janeiro - foto Fonte: Flickr Photos)


PARABÉNS MORRO!

Fogos de artifícios

Rajadas de balas

Pipas alegres ao ar

Churrascos nas lajes

Pó e mais pó de arroz

Cervejas a baldes

O morro aniversaria

Escolas e mulatas

O bolo no meio

Hoje não há aula

E o bolo no meio

Velas aos arredores

O bolo é comprido

E as velas são grandes


F Moura Filho - Contabilista e Poeta

F Moura Filho me comunicou através de e-mail que seu livro de poesia tá saindo da gráfica. Aguardo ansiosamente o livro, F Moura é um poeta insistente, acredita no texto que escreve, admira os textos universais que lê. É isso aí, poeta!

(pintura de Amaral)

A arte é a única manifestação humana que compete com a sabedoria de Deus.

munição

(foto sem crédito)

tenho munição poética suficiente
para atingir todas as curvas
do teu corpo de mulher

Acesse

sábado, 24 de abril de 2010

Frases na língua


Dentro da boca a língua fabrica palavras.



Na sala de aula,
línguas descontroladas

enquanto isso
canetas, lápis e borracha dormem
sobre travesseiros
do conhecimento


A mesa só fica embriagada
se a conversa vira monotonia
ou se não há
rosto feminino em volta


Meretíssimo - vem de mérito;
Meretríssimo - vem de coisa sem mérito nenhum
(um juiz - respondendo/corrigindo e-mail de uma pessoa)


Frágil é o dia quando o tempo desfaz a conta do destino


f wilson