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domingo, 4 de setembro de 2011

O conto policial

(René Magrite, A modelo vermelho. Pintura de 1935)


"Numa história policial, permitam-me repetir, sabemos da ocorrência do crime, conhecemos a vítima, mas não sabemos quem é o criminoso. Neste crime perfeito todos saberão logo quem é o criminoso e terão que desobrir qual é o crime e quem é a vítima. Eu apenas mudei um dos dados do teorema."
"Quem é o criminoso, afinal?", pergunta Voos.
"Eu", diz Winner.

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"Uma porcentagem imensa de escritores escreve sem ter noção exata do seu ofício, por isso existe tanta porcaria disfarçada em literatura. Agora, nós que já ensinamos literatura - não importa que tenha sido num colégio secundário de Newton, Massachusetts, como eu, ou em Princeton, como o verdadeiro Winner -, nós sabemos o que estamos escrevendo, mesmo quando é também uma porcaria."

Rubem Fonseca no conto "Romance Negro"

Henri Miller

 (foto de autoria desconhecida)

 "Existe uma classe de homens resistentes, antiquados o suficiente para se terem mantido asperamente individuais, abertamente desdenhosos da moda, apaixonadamente dedicados a seu trabalho, imunes ao suborno e à sedução, que trabalham longas horas, muitas vezes sem recompensa ou fama, que são motivados por um impulso comum: a alegria de fazer o que bem entendem. Em algum momento ao longo do trajeto eles se destacaram dos outros. Os homens de que estou falando são identificáveis a um mero olhar: seu rosto registra algo muito mais vital, muito mais eficiente que a sede de poder. Eles não procuram dominar, mas realizar-se. Operam a partir de um centro que está em repouso. Evoluem, crescem, alimentam só por serem o que são."

Henry Miller em “Pesadelo Refrigerado”