sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Tarântulas


Por João Luis Rocha do Nascimento*
 
O TRIELO
 
BLONDIE
 
 
DE ONDE VEM 
Um ponto no infinito. É o que a objetiva capta quando a cortina se abre. Quando avança lentamente uma imagem trêmula surge no canto. Sob um sol causticante. Um só corpo é o que parece ser. Quando se fecha aí se vê. Não é o que se pode chamar exatamente de marcha lenta. Movem-se por inércia. Não são as patas que removem os grãos é que as impulsionam. Os joelhos já não dobram mais.
 
PARA ONDE VAI
Eles avançam. No desfiladeiro se deixam arrastar sob o olhar atento de um caramujo do deserto que enterra a cabeça na areia aos primeiros gritos do coiote. Tão descarnados. Tão sedentos. Difícil dizer quem é homem quem é montaria.
 
QUAL O SEU NOME
Desviada para o lado esquerdo a cabeça baixa pela força gravitacional abandonou o movimento do pêndulo. O chapéu mais ainda. Não impedem que o sol siga abrindo crateras. O charuto no canto da boca o barulho do vento na noite passada apagou.
 
NINGUÉM JAMAIS SOUBE
Ainda assim ele segue. As rédeas seguram a mão esquerda. Mas não se engane quem vê a outra dormindo sobre o coldre. Está atenta. E formigando.
Vamos. Faça o meu dia.
 
TUCO
A natureza não foi generosa. Mas a ele deu ouvidos atentos que, à distância, ajudavam-no a distinguir os diferentes sibilos da serpente. Com os olhos, sempre piscando e girando de um lado a outro, à frente, movimentava-se em silêncio. Fez-se intimo do calor do deserto, provou do veneno do escorpião, e sobreviveu. A dignidade, esta se foi cedo. Do pai, nunca soube. Da mãe, não se recorda do dia em que a viu sóbria. Mas nada disso importa agora. A vida cuidou de fechar-lhe o coração, deixando-o duro como uma rocha. Não fosse pelo ar de desamparo que, quando descuidado, denunciava o sofrimento e a amargura, não seria arriscado dizer que nunca perdia o bom humor. Alguma dor que não tivesse experimentado? Não. Por isso, viver com a corda no pescoço fazia parte do jogo, mesmo quando não havia um anjo louro à retaguarda.
 
OLHOS DE ANJO
Quando cavalgava, mantinha curtas as rédeas e tesos o pescoço e a cabeça do Puro Sangue, o que conferia mais elegância ao trote. Uma raposa, cujos olhos miúdos brilhavam com o tirilintar de moedas de ouro. O chapéu, não exatamente negro, escondia a calvície avançada. O cachimbo, quando preso a um dos cantos da boca, tinha outras utilidades. Assim como para suas reflexões, usava-o também para destilar o veneno que expelia com um olhar contido. Botas e esporas lhe proporcionavam um caminhar firme e pausado. A mão direita, sempre próxima ao coldre invertido e do lado oposto, chamava atenção pelo dedo médio, cuja falange fora decepada com um punhal pelo próprio pai quando ele ainda era uma criança inocente. Não agia por ódio ou ressentimentos. Pragmático. Matar era apenas um negócio, o que não impedia de exercer o ofício com rigor excessivo e sangue-frio. Por isso a frieza no olhar, a impressão de que quase não respirava, a crueldade sem limites. Mas, sejamos justos: ninguém podia acusar-lhe de que não cumpria sua parte nos tratos, mesmo que para isso tivesse que se portar como agente duplo.
 
 
* Texto extraído do blog Confraria Tarântula. Postagem feita lá: segunda-feira, 5 de dezembro de 2011.

Charge do Dia - J Bosco - "ministérios".


  
Extraído do blog Lápis de Memória. Lá postado em 06/12/2011


domingo, 4 de dezembro de 2011

Poesia do dia-a-dia


Ah, tempo de escuridão e seus dezesseis movimentos
De frase dura, pedra desfeita na ação do esmeril
De eros farto em pele de avelã e aviamento
Farinha e café sobre a mesa de cristal e taça
Só a minha vertigem a traduzir-se
Numa parte que é transbordamento
Outra exclusão.

A primeira pessoa predomina nas folhas que rumorejam
E não quero saber da linguagem improdutiva
Nem no poema que se resolve a luz do olhar
Ou no sopro dos dedos que foi chacal e lobo voraz
O meu poema é minha fala e minha audição
O meu poema, antes, é nada, nada
E os cavaleiros partem no beijo de nuvens
Na doideira elétrica de Artaud.

Assim prefiro construir a sétima margem do rio flores
Sem ter horário fixo e londrino
O meu horário é o meu sertão
Sem neve cor de chumbo
A minha neve é a minha nódoa
E os cavaleiros partem no beijo de nuvens
Na doideira elétrica de Artaud.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Rock Progressivo

(Capas dos cds. Montagem deste blogueiro)


"Homebrew" é uma coletânea musical de Steve Howe em quatro cds, reunindo o que esse guitarrista da banda YES produziu de melhor em trabalho solo nos anos oitenta e noventa. A técnica e inspiração de Steve Howe se consolidou no rock progressivo, período de ouro desse estilo de rock que marcou a música na primeira metade dos anos setenta no mundo.

Howe é um dos mais talentosos guitarrista de rock de todos os tempos, sua criatividade se desenvolve ao som do violão, violino, viola, cello, fagote, flauta e aboé. E esse conhecimento da música clássica só amplia o estilo rock progressivo.

Para quem gosta do bom rock, taí a viagem.

F Wilson

* Esses cds estão disponíveis para download no blog zinhof. (a senha para descompactuar o download é: zinhof)  
 

domingo, 27 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Rock Progressivo


Neuschwanstein ou o castelo progressivo

Chego em casa nesse final tarde. Como é sexta-feira, meus olhos escalam pilhas de cds em idas de subidas e descidas na estante, e de repente um instinto animal dirige meus dedos a retirarem um deles: "Neuschwanstein - Battlement - 1978". 

Eu já ouvira esse cd há uns quatro anos, rapidamente, sem chance de ouvi-lo novamente. Apesar de não ter dado muita atenção, algo na música me incomodou o suficiente para gravar num cdzinho pirata a produção desse grupo alemão para ouvi-lo numa ocasião propícia - só gente que gosta de música guarda essas coisa para apreciá-la sabe qual dia.

Na verdade, quando eu vinha para casa, da escola onde trabalho, pertinho, a pé, vinha pensando na ascensão e, digamos, decadência do rock progressivo. Orquestras me lembraram do "Yes", "Emerson, Lake & Palmer", "Jean-Luck ponty" e tantos outros grandes desse estilo virtuoso que marcaram os anos setenta. Mas tudo se convergia para um desconhecido grupo alemão de 1978.

Ora, essa era uma época onde a onda "dance music" contagiava o mundo inteiro. O Rock Hard,  o Jazz, a MPB, o Samba e outros tantos estilos musicais estavam sendo sacrificados pela "Discoteca", a moda, a onda do momento - final dos anos setenta.

Raras foram as heróicas gravadoras que se atreveram a gravar estilos roqueiros em "desuso" pelo público. Final dos anos setenta, surgiu atravessando como dinamitando pistas das discotecas, grupos como o canadense "Rush". E dos escombros da discoteca, uma poeira se levantava descortinando o estilo rock heavy metal.

Acredito ter esse grupo alemão  "NEUSCHWANSTEIN"  contribuído, até onde se oportunizou, enriquecido a música, gerações que ainda estão para ouvir esse som que vale a pena.   

F Wilson

quarta-feira, 9 de novembro de 2011